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Luiz Fernando
Valente
Brown
University
Abstract: Paulo Leminski desenvolve a «poética do inútil» em uma série de ensaios críticos reunidos no volume Anseios crípticos. Em sua busca de uma «verdade poética» além da fragmentação de um mundo dominado pelo utilitarismo, a poesia «inútil» rejeita a referencialidade, na medida em que constitui, antes de tudo, uma aventura da linguagem. Assim a poesia «inútil» de Leminski se distancia da poesia «engajada» e se aproxima do construtivismo de João Cabral de Mello Neto e dos concretistas, Reconhecendo que, apesar de nossa solidão existencial, estamos inevitavelmente interligados por nossa espiritualidade, a poesia «inútil» exprime o anseio, constantemente frustrado, mas nunca abandonado, por um autêntico sentido de comunidade e, através da intertextualidade, se insere no fluxo, histórico da humanidade. Ao formular a «poética do inútil», Leminski se alinha com o pensamento da Escola de Frankfurt, especialmente Adorno, Benjamin e Marcuse, e prefigura a noção de «pós-modernismo ecológico» proposta por Charlene Spretnak. Key Words: Escola de Frankfurt, Leminski (Paulo), poesia brasileira, poética, pós-modernismo, século XX A morte prematura de Paulo Leminski8 dois meses e meio antes de completar quarenta e cinco anos de idade deixou uma irreparável lacuna na literatura brasileira contemporânea, tão prolífica em bons prosadores, mas tão carente de poetas de primeira linha. No dia 7 de junho de 1989 as letras brasileiras perderam não só um dos escritores mais originais da talentosa geração que alcançou a maioridade literária durante a década de 1970 -e sem dúvida seu poeta mais importante- mas também um eloqüente e incondicional apologista da necessidade da poesia no mundo moderno. Para Leminski o fazer poético constitui uma afirmação irrevogável do humano e do espiritual num universo cada vez mais dominado pela desumanização e pelo materialismo, e representa um imprescindível antídoto à repetitividade e à fragmentação do quotidiano. Numa série de pequenos ensaios, incluídos no volume Anseios crípticos, (1986),9 Leminski resume com grande precisão e lucidez suas idéias sobre a arte da poesia. Esses ensaios não só revelam que Leminski era extremamente consciente da sua situação como poeta moderno, mas sugerem ainda que Leminski possuía bastante familiaridade com a teoria literária e o pensamento filosófico contemporâneos. Essa preocupação com o téorico e o filosófico não se limita às suas especulações em prosa. A poesia de Leminski contém também um forte elemento de autoconsciência, com o processo de criação poética aparecendo como tema de inúmeros poemas espalhados pelos seus vários volumes de poesia. Leminski vê na reflexão teórica sobre o fazer poético um dos marcos da poesia moderna e se considera descendente de Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, João Cabral de Mello Neto e outros, que Leminski chama de «poetas críticos, capazes do verbo lírico, e muito capazes de falar sobre sua prática» («Teses, tesões» 11). Ao definirmos a «poética do in-útil», será necessário, portanto, consideramos tanto a prosa especulativa de Leminski quanto a sua prática poética. A «poética do in-útil» parte de dois pontos básicos: uma clara distinção entre prosa e poesia, e uma rejeição do «docere cum delectare» horaciano, isto é, o vetusto preceito de que a literatura tem a dupla função de deleitar e instruir, cuja influência persiste em nossos dias. Ao diferenciar a poesia da prosa, Leminski parece se alinhar
com o pensamento dos formalistas russos do início do século.
É impossível não reconhecer na afirmação de
que
O outro pólo da «poética do in-útil» é a negação de qualquer função didática para a poesia: «a poesia mais significativa do século XX nasce da ‘arte pela arte’. Da arte como inutensílio. Não como veículo de princípios ‘superiores’ ou ‘maiores’» («Arte in-útil=arte livre?» 31). À primeira vista esta posição parece contradizer a afirmação categórica de Leminski no mesmo ensaio de que a «motivação moral» da literatura é «inevitável, já que o homem é um ser político, logo moral» («Arte in-útil=arte livre?» 31). Em realidade, ao se opor ao didatismo, Leminski não está negando que existam vínculos entre a estética, a moral, a política e a ética, mas simplesmente que a poesia tenha uma função «moralizadora», no sentido tradicional de edificação moral. Refletindo a mediocridade de uma visão «mediana» do mundo, a literatura «moralizante», especialmente a poesia «moralizante», se converte num mero veículo para a expressão da ideologia dominante. É deste ponto de vista que Leminski se posiciona contra o moralismo de Tolstói em «O que é Arte?» (1898) e, apesar de sua simpatia pelo marxismo, ataca os «maniqueísmos moralistas de Plekhânov» («Arte in-útil=arte livre?» 34). Ao contrário, Leminski propõe que à literatura cumpre contestar a ideologia dominante. Seu ataque ao naturalismo, que ele distingue de realismo (alinhando-se, dessa maneira, com o pensamento de G. Lukács), e sua defesa da «arte pela arte» da poesia do final do século passado (que, por outro lado, o afasta do pensamento lukacsiano) devem ser vistos dentro desse contexto. Segundo Leminski o naturalismo do discurso do poder estabelecido («Forma é poder» 70), enquanto que a «arte pela arte», longe de ser um resultado de alienação, representa uma contestação da visão utilitarista da literatura, que atinge seu ápice com a consolidação da burguesia no século XIX: «Contra a neutralidade do discurso naturalista branco, levantam-se os discursos reprimidos das culturas oprimidas, o frenético dinamismo mitológico dos fodidos, sugados e pisados deste mundo» («Forma é poder» 70). É especialmente importante que a poesia contemporânea se destitua de qualquer associação com a ideologia dominante porque na sociedade moderna (o que Leminski prefere chamar de sociedade burguesa), marcada por um crescente materialismo e por uma crescente comodificação, inclusive da expressão artística, a poesia representa «a última trincheira onde a arte se defende das tentações de virar ornamento e mercadoria, tentações a que tantas artes sucumbiram prazeirosamente» («Arte inútil=arte livre?» 32). Ao desenvolver estes conceitos, Leminski se alinha com o
pensamento da Escola de Frankfurt, especialmente o «negativismo» de
Leminski acusa a concepção utilitária do mundo de ter perdido contacto com o que é fundamentalmente humano e, portanto, de ser espiritualmente empobrecedora:
O que é mais autenticamente humano está além do alcance do utilitário: «o amor. A amizade. O convívio. O júbilo do gol. A festa. A embriaguez. A poesia. A rebeldia. Os estados de graça. A possessão diabólica. A plenitiude da carne. O orgasmo. Estas coisas não precisam de justificação nem de justificativas» («Inutensílio» 58). A literatura, especialmente a poesia, reaproxima o ser humano da sua humanidade intrínseca exactamente por ser um «inutensílio». Diferentemente dos produtos de um mundo dominado pelo utilitarismo, a criação poética não possui um objectivo prático ou claramente identificável. É a ausência de qualquer justificação que paradoxalmente justifica a existência da poesia:
11 Leminski conclui que «coisas inúteis (ou
‘in-úteis’) são a autêntica finalidade da vida»
(«Inutensílio» 59), pois essas coisas inúteis
são objetos de prazer, dos quais nossas vidas, regidas pelas normas de
uma «civilização» repressiva, se vêm afastando
cada vez mais. Nesse sentido Leminski se identifica com outro pensador da
Escola de Frankfurt, Herbert Marcuse, cujas idéias sobre as origens da
repressão e a possibilidade de uma civilização
não-repressiva tiveram uma enorme influência sobre sua
geração. Marcuse sugere que, ao invés de libertar o ser
humano e trazer-lhe maior felicidade, os avanços tecnológicos do
mundo moderno acabaram por tornar o ser humano dependente do progresso material
e, portanto, por controlá-lo e desumanizá-lo. Mesmo a suposta
tolerância do mundo moderno por novas idéias e formas de
comportamento é repressiva porque esbate e co-opta o potencial de
subversão da ordem que tinham porventura originalmente contido. Marcuse
pretende reviver o espírito utópico porque só a utopia, ao
negar o real, mantém viva a possibilidade de um mundo diferente deste.
Como Adorno, Marcuse valoriza a negatividade da experência
estética,
É significativo que este poema esteja escrito em inglês (apesar de o inglês de Leminski ter, evidentemente, algumas deficiências), pois Leminski considera o inglês a língua por excelência da mentalidade utilitarista: «É a língua de um povo voltado para a ação (vikings, piratas, aventureiros, guerreiros, administradores). É uma língua ATIVA. Exportando a língua, os falantes do inglês estão exportando valores. Não apenas palavras. A classemedianização da sociedade brasileira equivale a uma norteamericanização» («3 línguas» 111). A poesia de Leminski se distancia, assim, da poesia
«engajada» das últimas décadas, praticada por poetas
como Thiago de Mello e Ferreira Gullar. Leminski tem pouca
atração pela chamada poesia «participante», que se
rende à lógica da prosa e se afasta da noção de
«inutensílio», imprescindível a verdadeira
experiência poética. Leminski acusa esse tipo de poesia, com sua
preocupação excessiva com o conteúdo, de se fechar sobre
si própria e eventualmente se tornar, a despeito de sua temática,
anti-democrática: «A poesia participante queria chegar ao povo,
queria
participar da vida das pessoas. Mas
não era bem participar da vida das pessoas que ela queria. Ela queria
dizer para as pessoas como é que as coisas são» («O
boom da poesia fácil» 43). Leminski chega mesmo a estabelecer
paralelos entre o discurso da poesia participante dos anos 60 e 70 e o discurso
da ditadura: «essa esquerda apenas macaqueou o discurso
totalitário da tirania que nos oprimia a todos. Aos vários
‘não’ da ditadura, a esquerda respondeu com seus ‘não’.
Toda uma geração cresceu imprensada entre esses dois
‘não’ aparentemente, opostos, no fundo, complementares e
solidários na repressão, no policiamento, na
castração, no desincentivo à iniciativa, à ousadia,
ao verdadeiramente revolucionário» («Tudo, de novo»
50). Ao contrário, Leminski quer uma poesia que envolva o leitor:
«Só a obra aberta (=desautomatizada, inovadora), engajando,
ativamente, a consciência do leitor, no processo de
descoberta/criação de sentidos e significados, abrindo-se para
sua inteligência,
Parafraseando Benjamin, sem nomeá-lo, Leminski afirma que «não sáo os conteúdos que importam: são os modos, os processos, as formas que são sociais. E políticas, portanto» («Estado, mercado, quem manda na arte?» 36). Ao rejeitar a literatura «engajada», a poesia «in-útil» de Leminski se quer herdeira de uma tradião poética que remonta aos simbolistas -é bom lembrar que um dos poetas favoritos de Leminski é João da Cruz e Sousa, do qual escreveu uma biografia que revela talvez mais sobre Leminski do que sobre Cruz e Sousa -passando por modernistas como Oswald de Andrade e Manuel Bandeira, e culminando no construtivismo de João Cabral de Mello Neto e dos concretistas, isto é, uma tradição na qual poesia é sempre uma indagação desestabilizadora, nunca uma resposta confortante. Mais do que uma coincidência de filosofias ou opiniões políticas, o que Leminski tem em comum com todos estes poetas é uma consciência da linguagem como matéria-prima da poesia. Mesmo quando está tratando um tema de natureza social, Leminski não deixa de trabalhar a linguagem. Isto está exemplificado perfeitamente no poema «Verdura»:12
O poema é estruturado a partir de uma
conjugação de analogias e diferenças, de
repetições e transformações. Seu impacto sobre o
leitor depende em grande parte do efeito de «estranhamento» gerado
pela ruptura entre a primeira e a segunda estrofes. Ao colher o leitor de
surpresa, o verso «vendi meus filhos» funciona como catalista dessa
ruptura, desestabilizando as expectativas, criadas pelos dez primeiros versos,
de que estaríamos diante de um tratamento mais ou menos convencional do
tema do amor perdido ou não retribuído. Ao mesmo tempo,
entretanto, a temática sócio-política desenvolvida na
segunda estrofe, evocando a impotência dos valores
Contrastemos esse poema de Leminski com estas duas quadras retiradas do poema «Dentro da noite veloz» de Ferreira Gullar:
Uma rápida leitura dos versos de Ferreira Gullar é bastante para se entender por que Leminski considera o poema engajado como «obra fechada», muito mais próxima da prosa do que da poesia. Na sua linguagem prosaica e na sua despreocupação com o acabamento formal, o poema de Ferreira Gullar corporifica a concepção da literatura como mero espelho da realidade, que segundo Leminski «tem como fundamento gnoseológico uma doutrina do conhecimento como reflexo, na teoria do conhecimento. Ambas são um insulto ao trabalho, este singular modo humano de estar no mundo, mudando-o, alterando-o, adaptando-o, humanizando-o, manipulando-o, inventando-o, criando, inovando, fundando a nova realidade humana da cultura e do signo» («Arte=reflexo» 67). Há uma grande diferença entre recriar a política na poesia e utilizar a poesia para fins políticos: «Existe uma política na poesia que não se confunde com a política que vai na cabeça dos políticos. Uma política mais complexa, mais rarefeita, uma luz política ultra-violeta ou infra-vermelha. Uma política profunda, que é crítica da própria política, enquanto modo limitado de ver a vida» («Inutensílio» 59). Seria completamente errado, entretanto, imaginar que a
«poética do in-útil» esteja propondo um
enclausuramento do poeta numa torre de marfim. Muito pelo contrário, a
aventura poética da linguagem enraíza a poesia no
Por fim, através da intertextualidade, que Leminski reconhece como condição essencial da criação literária, a poesia se insere no fluxo histórico da humanidade: «Literatura é telepatia com todo um passado. As obras são variantes de todas as obras anteriores. Não é o indivíduo quem faz literatura, é a Humanidade» («Sem eu, sem tu, nem ele» 75). É importante não se perder de vista que a poesia
de Leminski aponta para uma terceira dimensão, pois a aventura da
linguagem é também uma aventura do espírito: «essa
idéia/ ninguém me tira/ matéria é mentira»
(La vie en close 178). Para Leminski, um ex-seminarista
atraído pelo zen budismo, autor de biografias de Bashô (o
codificador do haikai) e de Jesus Cristo, o ser humano não se completa
sem uma busca da transcendência: «Me recuso a viver num mundo sem
sentido» («Buscando o sentido» 9). Nessa busca, a poesia tem
um papel fundamental, porque para Leminski a imaginação
«é uma via de conhecimento, de acesso à realidade,
tão (ou mais) poderosa que a dita ‘razão’, só capaz de
captar os aspectos mais superficiais da realidade» («Comunicando o
incomunicável» 126). Assim a poesia de Leminski acaba por
revelar-se «religiosa» no sentido mais básico do termo,
derivado do latim
religo. É essa
preocupação com as conexões existentes no universo que
informa sua «biografia» de Jesus Cristo, onde Leminski se
propõe a «revelar o poeta que Jesus, profeta, era» (141).
Pois o Jesus biografado por Leminski corporifica o ideal leminskiano do poeta,
que
revela,
ocultando. Apesar de ser «um
subversor da ordem vigente, negador do elenco dos valores de sua época e
proponente de uma
utopia» (141), Jesus não
é um «poeta participante», mas tun «poeta
crítico», que prefere expressar-se por meio da parábola,
onde suas mensagens são transmitidas não «por cadeias de
raciocínios, mas através de ‘estórias paralelas’...
unidades poéticas e ficcionais, capazes de irradiar significados
espirituais e práticos, abertas à exegese, à
explicação, à liberdade. Jesus, Joshua Bar-Yosef, pensa
concreto» (173). Educado dentro da
tradição cabalística de interpretação de
textos, Jesus é, como Leminski, um «poeta» movido por
«anseios crípticos», para o qual uma multiplicidade de
sub-sentidos e significados ocultos estão presentes em cada texto. Esta
lição foi passada aos primeiros cristãos que, ao serem
perseguidos, se identificavam e se comunicavam por meio de uma escritura
críptica: o desenho de um peixe, uma
A espiritualidade de Leminski não deve ser confundida com qualquer dogmatismo religioso ou qualquer escapismo reacionário. Trata-se, ao contrário, de uma tomada de posição por um indivíduo consciente de sua situação no «mundo pós-moderno», mas descontente com este «mundo atomizado, onde as pessoas (e a Pessoa) se tornam mônadas isoladas entre os milhões que habitam a Grande Cidade, em que este planeta está se transformando» («Punk, dark, minimal, o homem de Chernobyl» 61). Neste sentido, a «poética do in-útil» se aproxima da noção de «pós-modernismo ecológico», definida por Charlene Spretnak em States of Grace: The Recovery of Meaning in the Postmodern Age. «Ecological postmodernism recognizes not only that all beings are structurally related through our cosmological lineage, but also that all beings are internally constituted by relations with others, even at the molecular level» (20). Spretnak distingue esse pós-modernismo generoso e afirmativo do «pós-modernismo desconstrucionista», marcado pelo ceticismo e pela passividade:
A poesia de Leminski não oferece nenhum consolo nem indica o caminho de qualquer redenção. O que ela consegue realizar é muito menos definitivo, mas ao mesmo tempo muito mais ambicioso. Num mundo fragmentado pelo egocentrismo utilitarista, a proposta de uma poesia «in-útil» revela-se como a busca, talvez para sempre frustrada, do nexo perdido com uma realidade além da banalidade do quotidiano, e não nos deixa esquecer que, apesar das diferenças de classe, raça e sexo, estamos inevitavelmente interligados por nossa humanidade.
OBRAS CITADAS
Adorno, Theodor W. Aesthetic Theory. Trad. C. Lenhardt. London: Routledge & Kegan Paul, 1984. Benjamin, Walter. «The Author as Producer». Reflections: Essays, Aphorisms, Autobiographical Writings. Trad. Edmund Jephcott. New York: Schocken, 1978. 220-38. Gullar, Ferreira. Toda poesia. 2ª ed. Rio: Civilização Brasileira, 1981. Hamburger, Michael. The Truth of Poetry. New York: Harvest, 1969. Jay, Martin. The Dialectical Imagination: A History of the Frankfurt School and the Institute of Social Research. 1923-1950. Boston: Little, Brown, 1973. Kant, Immanuel. Critique of Judgement. Trad. J. H. Bernard. New York: Hafner, 1972. Leminski, Paulo. Anseios crípticos. Curitiba: Criar, 1986. _____. Caprichos e relaxos. São Paulo: Brasiliense, 1983. _____. Distraídos venceremos. São Paulo: Brasiliense, 1987. _____. La vie en close. São Paulo: Brasiliense, 1991. _____. Vida: Cruz e Sousa, Bashô, Jesus e Trótski. Porto Alegre: Sulina, 1990. Marcuse, Herbert. Eros and Civilization: A Philosophical Inquiry into Freud. New York: Vintage, 1962. Shlovsky, Victor. «Art as Technique». Russian Formalist Criticism. Trad. Lee T. Lemon and Marion J. Reis. Lincoln: U of Nebraska P, 1965. 3-24. Spretnak, Charlene. States of Grace: The Recovery of Meaning in the Postmodern Age. San Francisco: Harper, 1991.
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